Formação em Psicologia Clínica na Perspectiva Fenomenológico-Existencial
Informações
Coordenação político-pedagógica: Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo – CRP 05/2834
Certificado de Formação em Psicologia Clínica na perspectiva fenomenológico-existencial ao final do curso (cumprindo todas as exigências documentais e acadêmicas explicitadas na inscrição).
Direcionado a: estudantes e profissionais de psicologia e áreas afins
Carga horária: 240h
Duração: 12 meses
Modalidade: Online ou Presencial
Aulas um sábado por mês, das 9h às 18h
Aproveitamento de créditos para a Especialização em Psicologia Clínica na Perspectiva Fenomenológico-Existencial do IFEN em parceria com a Faculdade Educamais.
Apresentação
No Curso de Formação em Psicologia Clínica na Perspectiva Fenomenológico-Existencial, nós do Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial do Rio de Janeiro (IFEN), privilegiamos o exercício da clínica em Psicologia por meio de um diálogo com a Filosofia da Existência e a Literatura. Junto à Filosofia conquistamos uma força especulativa, tornando possível destruir as verdades tomadas como eternas e atemporais, além de encontrar um caminho de pensamento mais rigoroso. Na Literatura encontramos descrições de experiências humanas diversas, de modo a fazer com que as verdades tomadas como atemporais e universais caiam por terra. Na Psicologia, lugar onde nos encontramos, a experiência aparece em ato, na relação propriamente dita, cabendo então o exercício da clínica psicológica em uma atitude de atenção, paciência e acolhimento das tensões, conflitos e indecisões. Por esse caminho encontramo-nos na fronteira permeável de todas essas áreas do saber, lugar comum no exercício do pensamento e anterior a qualquer posicionamento teórico. Ao pensar na especificidade da Psicologia, cabe lembrar que nem a filosofia nem a literatura têm pretensões clínicas. Assim, na Formação oferecida pelo IFEN queremos deixar aparecer o modo como a psicologia clínica se constitui sempre em ato e em constante relação com esses diferentes saberes.
No curso de Formação pretendemos estabelecer a construção de uma atividade clínica que se sustenta no binômio do saber-fazer. Nesse espaço deixamos aparecer possibilidades outras, sem nos esquivarmos de desafios que se encontram no bojo daquilo que é o objetivo dessa Formação: defender a clínica como algo que acontece no âmbito de uma experiência singular, sem abandonar o caráter universal daquilo que nos atravessa em nosso tempo. Com essa proposta organizamos a programação de forma a proporcionar que o aluno exercite o seu saber-fazer na clínica psicológica.
Para tanto a estrutura do curso se organiza em torno de eixos transversais que guiarão a Formação. O aluno cursará dois dos seguintes eixos, podendo dar continuidade ao estudo na Especialização e/ou eixos avulsos:
● Bases Filosóficas para uma Psicologia Clínica na Perspectiva Fenomenológico-Existencial;
● Os sentidos da clínica psicológica na contemporaneidade: diálogos com a filosofia;
● Psicopatologia, psicossomática e a clínica psicológica;
● O exercício da clínica psicológica na perspectiva fenomenológico-existencial.
Assim, a Formação em Psicologia Clínica na Perspectiva Fenomenológico-Existencial constitui-se em um espaço para que o profissional interessado por esta forma de pensar e fazer a psicologia ganhe consistência em sua atuação clínica.
Objetivo geral
Preparar profissionais da psicologia e de áreas afins para atuarem na psicoterapia por meio de uma compreensão da existência em diálogo com a Filosofia da Existência e a Literatura.
Objetivos específicos
● Apresentar um panorama geral dos fundamentos filosóficos e metodológicos da prática clínica na perspectiva fenomenológico-existencial desdobrando elementos do pensamento de autores como Sören Kierkegaard, Friedrich Nietzsche, Martin Heidegger e Jean-Paul Sartre que repercutem na clínica psicológica existencial na contemporaneidade, na psicopatologia e na investigação em psicologia.
● Mostrar o modo como os temas da filosofia aparecem na experiência e suas repercussões na clínica psicológica.
● Desenvolver a forma como os temas da filosofia existencial e fenomenológica sustentam uma clínica psicológica que se afasta das determinações causais e moralizantes das psicoterapias modernas.
● Apresentar a experiência da clínica fenomenológico-existencial por meio de atendimentos clínicos, de modo a tornar evidente a presença dos temas discutidos pela filosofia existencial e pela literatura no cotidiano do fazer clínico.
● Discutir e debater as situações clínicas de atendimentos realizados pelos alunos.
● Promover o diálogo interativo entre professores e alunos acerca de temas atuais na perspectiva fenomenológico-existencial por meio de discussão de filmes, lives, rodas de conversa, entre outros.
Durante o curso de Formação em Psicologia são estudados dois eixos transversais. A aluna ou aluno poderá aproveitar créditos e ingressar na Especialização em Psicologia Clínica após finalizar o Curso de Formação.
Aproveitamento de créditos para a Especialização em Psicologia Clínica na Perspectiva Fenomenológico-Existencial do IFEN em parceria com a Faculdade Educamais.
“Não quero transformá-los em filósofos, mas somente torná-los atentos ao que diz respeito inevitavelmente ao homem, mas que não lhes é imediatamente acessível”. É com esse alerta que Heidegger inicia os seus seminários em Zollikon direcionados a psicólogos e psiquiatras.
O eixo de bases filosóficas para uma psicologia clínica na perspectiva fenomenológico-existencial tem justo esse objetivo, ou seja, não pretende formar filósofos e sim ensinar junto à filosofia o exercício do ver e do pensar que requer um tornar-se atento àquilo que se apresenta.
Para podermos ampliar e, ao mesmo tempo, aprofundar o tornar-se atento é que promoveremos o diálogo da Psicologia com a Filosofia e seu desdobramento na clínica a partir dessa interlocução com os grandes pensadores da existência: Edmund Husserl, Sören Kierkegaard, Frederich Nietzsche, Heidegger e Jean-Paul-Sartre.
Edmund Husserl nos ajudará a pensar naquilo que é o mais originário na relação homem-mundo, ou seja, a experiência que o filósofo nos mostrará em seus estudos sobre intencionalidade. E nesse caminho, o psicólogo conquistará um modo de pensar anterior à dicotomização tão cara ao modo de pensar hegemônico. Ainda, esse filósofo nos guiará no exercício de desconfiar das verdades que nos são ensinadas e vão, pouco a pouco, sendo tomadas como naturalmente dadas.
Sören Kierkegaard nos ensinará a tornarmo-nos atentos ao caráter de indeterminação da existência e com isso poderemos apreender que angustiar-se, desesperar-se, repetir-se, por exemplo, são modos de ser do homem, longe de serem colocados como caracteres patológicos. Ele ainda nos dará lições sobre o amor que nos conduzirão a compreender a empatia em seu sentido mais originário, desdobrando-se daí importantes caminhos que se abrem na relação clínica.
Frederich Nietzsche muito nos desvelará sobre os perigos do domínio do pensar científico para a existência. E ainda, nos conduzirá a refletir sobre a culpa, o ressentimento e o esquecimento de modo a nos permitir pensar para além dos posicionamentos cristãos que acabam por acirrar o afeto que faz sofrer quando somos tomados por essas disposições.
Com os estudos do pensamento de Jean-Paul Sartre, discutiremos sobre frases que são decisivas para que nos lembremos a todo momento as temáticas existenciais, como por exemplo, “Estamos condenados à liberdade”, “O importante não é o que fizeram de nós, mas aquilo que fazemos do que fizeram de nós”, “Continuemos…”, dentre outras que são verdadeiras âncoras que não deixam com que nos percamos das demandas modernas que afirmam justo ao contrário.
Por fim, por meio das situações clínicas e dos esclarecimentos de todo esse exercício de tornar-se atento, apresentaremos uma clínica psicológica que só pode conquistar um espaço na Psicologia ao buscar as bases de um pensamento clínico na Filosofia da Existência para, desse modo, não recair nas armadilhas da ciência e tampouco tornar-se uma Psicologia do senso comum. Como diz Guimarães Rosa, queremos “o supra-senso”.
O Eixo Transversal intitulado Os Sentidos da Clínica Psicológica na Contemporaneidade: Diálogos com a Filosofia e a Literatura compõe a programação da Especialização em Psicologia Clínica na Perspectiva Fenomenológico-Existencial do Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial do Rio de Janeiro (IFEN) pelo fato de acreditarmos que homem e mundo se constituem co-originariamente. Dessa forma, não podemos pensar o modo de ser do existente sem pensar os sentidos que se articulam no mundo que é seu.
Para pensar o nosso horizonte histórico como contemporaneidade, precisamos antes esclarecer o que entendemos por contemporâneo. Há fortes indícios de que a palavra contemporâneo tem origem na língua grega, na qual σύγχρονος aponta para a ideia de “sincronia”, “ao (no) mesmo tempo”, “na mesma frequência”. De acordo com outros estudiosos, a palavra contemporâneo tem origem latina contemporarius, na qual con significa “com” / “junto” e temporarius relaciona-se a “do tempo”. Temporarius significa “temporal”, “transitório”. Emporarius vem de tempus, “tempo”, e significa “era”, “estação”. O termo contemporâneo surgiu na língua inglesa por volta de 1600-1700. Antes do uso dessa palavra, o termo utilizado para se referir a essa experiência era time-fellow (“companheiro do tempo”).
Queremos com este eixo deixar aparecerem as principais determinações do nosso horizonte histórico e mostrar como elas ressoam nos modos de ser e estar do homem contemporâneo. Para tanto, recorreremos à filosofia e à literatura para que tais determinações possam se desocultar. Com a fenomenologia-hermenêutica de Martin Heidegger, apresentaremos os elementos que o autor utiliza para nos mostrar a cadência do modo de ser na era da técnica. Com Sören Kierkegaard, veremos outras determinações naquilo que o filósofo denomina a época atual. Nietzsche nos mostrará o modo ressentido pelo qual, na nossa época, tomamos um lugar de poder e, com Jean-Paul Sartre, poderemos acompanhar a tendência à cristalização das identidades em nosso tempo. Em Byung-Chul Han, veremos o modo como o sofrimento e a dor se apresentam no contemporâneo. A literatura surge na perspectiva de concretizar as reflexões filosóficas sobre a existência no contemporâneo.
Por fim, na junção desses saberes, pensaremos sobre a atuação clínica considerando os modos de ser no contemporâneo. Ressaltamos que, para a escuta e o acolhimento de uma experiência existencial, não se faz necessário qualquer instrumento mediador. Por isso, para poder ver a vida no contemporâneo, precisamos exercitar o ver da experiência sem nenhuma mediação, cabe (a quem cabe?) apenas se abrir para o lugar onde já sempre se está.
O eixo Psicopatologia, psicossomática e a clínica psicológica será atravessado, em todos os seus módulos, por considerações filosóficas sobre physis, sôma e psyché, bem como por suas repercussões nas práticas clínicas.
A physis, compreendida como o instante de união do corpóreo com o anímico, permite que se apreenda a ideia de corpo e alma como unidade originária, anterior a qualquer dicotomia. Com o deslocamento da ideia sedimentada, no Mundo Moderno, de que sôma e psyché se encontram em uma polaridade que abole totalmente a physis, unidade originária, abre-se a possibilidade de uma apreensão dessa unidade na perspectiva de diferentes filósofos tais como Sören Kierkegaard, Friedrich Nietzsche, Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre. Por esse caminho dá-se uma amplitude de reflexões que conduzem às temáticas da psicossomática e da psicopatologia em Binswanger e Medard Boss, dentre outros.
Uma vez libertos da ideia dicotômica de corpo e alma, será possível a apropriação da unidade soma e psique em uma ação clínica com bases fenomenológico-existenciais.
O Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial do Rio de Janeiro – IFEN tem como tradição a proposta de uma clínica psicológica para além da daseinsanálise. Por esse motivo é que – sem abandonar os preceitos da análise do Dasein, ao contrário, dando destaque à analítica do Dasein, tal como pensada pelo filósofo Heidegger nos Seminários de Zollikon – traz outros pensadores que se debruçam, em suas reflexões, à existência, são eles: Kierkegaard, Nietzsche e Sartre. Desse modo, nos estudos do IFEN, prima-se pelo exercício da clínica em múltiplos diálogos. Pretende-se, passo-a-passo, fortalecer um modo de pensar a clínica psicológica que cada vez mais se enraíza na existência.
Ainda na tentativa de fortalecer o pensamento clínico para além das contribuições da filosofia, busca-se a poesia e a literatura, com foco nas produções literárias de escritores brasileiros. Entende-se que a literatura nos aproxima e nos afina com a realidade singular e universal.
Entende-se que o exercício da clínica psicológica é um ofício e, como tal, o aprendizado se faz vendo fazer e ao mesmo tempo fazendo – trata-se do saber-fazer em psicologia clínica. A tríade filosofia, literatura e exercício da clínica é imprescindível para uma compreensão mais ampla da tarefa de escuta e fala do analista na relação clínica.
Ressalta-se que as reflexões filosóficas sobre a angústia, liberdade, tédio, desespero, morte, dentre outras, permitem uma aproximação das expressões existenciais mais originárias. Com a literatura, busca-se as narrativas de experiências outras que deem concretude às concepções existenciais. E no exercício da clínica psicológica acompanha-se essas expressões e concepções como “matéria vertente”.
O que importa ensinar é como a psicologia clínica se apropria dessas temáticas de modo a torná-las a base de uma clínica fenomenológico-existencial tal como desenvolvida por Feijoo em seus estudos, pesquisas e práticas que podem ser acompanhadas em suas cinco publicações reconhecidas e consolidadas no âmbito dos cursos de Psicologia: A escuta e a fala, A existência para além do sujeito, Existência e psicoterapia, Suicídio & Luto e Narrativas existenciais em psicologia clínica: ensaios, diálogos e epístolas.